Análise de conteúdo – o método de Laurence Bardin
Parte IV
IV – A Inferência
1 – Pólos de análise
A análise de conteúdo permite ao leitor
crítico de uma mensagem ter acesso a informação suplementar: o saber “mais”.
Este saber “mais” implica que a análise de conteúdo se centre em pólos de
atração. Podem apoiar-se nos elementos constitutivos do mecanismo clássico de
comunicação:
EMISSOR (a) e RECETOR (b) - polos de inferência - emitem e
recebem a MENSAGEM (c) - significação e código - sobre o MEDIUM (d) - canal ou suporte.
a)
O
emissor, produtor da mensagem, tem a função expressiva ou representativa da comunicação;
b)
O
recetor, a quem se dirige a mensagem com a finalidade de agir ou de se
adaptar;
c)
A
mensagem constitui o material, o ponto de partida e o indicador sem o qual a
análise não seria possível. Existem dois tipos de análise: o continente e o
conteúdo; os significantes e os significados; o código (indicador capaz de
revelar realidades subjacentes) e a significação (a passagem sistematizada pelo
estudo formal ao código).
d)
O
medium, canal ou suporte material do
código.
2 – Processos e variáveis de inferência
A análise de conteúdo é um bom
instrumento de indução para se investigarem as causas (variáveis inferidas) a
partir dos efeitos (variáveis de inferência ou indicadores; referências no
texto). Estes indicadores e inferências podem ser de natureza muito diversas.
Laurence Bardin, na obra que estamos a acompanhar, indica alguns autores com
perspetivas diferentes: C. E. Osgood refere que as inferências podem ser
distinguidas entre específicas e gerais e as variáveis inferidas podem ser
várias dando o exemplo da inteligência, a facilidade de comunicação ou a
agressividade; O. R. Holsti cita outros exemplos como os antecedentes da
comunicação (observando aspetos os mudanças culturais), as provas de legalidade
e de autenticidade e os resultados da comunicação.
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