sexta-feira, 11 de julho de 2014

Irformar, Formar e Educar
Informar é fornecer um conjunto de dados.
Formar é orientar para a eficácia.
Educar é despertar potencialidades.

A informação é dada por quem sabe.
A formação é dada por quem pratica.
A educação é dada por quem vive.

Quem informa tem mais conhecimentos.
Quem forma tem mais experiência.
Quem educa tem mais vivência

A informação exige pesquisa contínua.
A formação exige progresso contínuo.
A educação exige aprofundamento contínuo.

Pela informação alargam-se os horizontes.
Pela formação alargam-se as possibilidades.
Pela educação alargam-se as capacidades.

A pessoa informada está mais prevenida.
Pode evitar melhor os problemas.
Pode caminhar com mais segurança.

A pessoa formada está mais esclarecida.
Pode conhecer melhor as situações.
Pode encontrar mais soluções.

A pessoa educada é mais consciente.
Pode mergulhar mais na realidade.
Pode encontrar o melhor caminho.

A pessoa informada é mais prudente.
A pessoa formada é mais eficaz.
A pessoa educada é mais feliz.

Copiado do blog: luismiguel-digital.blogspot.pt/

sexta-feira, 4 de julho de 2014


Reflexão final

«As ciências progridem na medida em que adquirem novas verdades, como fruto da criatividade reflexiva de fundamentação ou investigação de causas. Não basta pois 'vulgarizar' o que outros encontraram; exige-se uma contribuição pessoal que traga qualquer coisa de 'novo': factos, ideias, hipóteses, argumentos, conclusões» (P.e Júlio Fragata SJ).

Retirado de luismiguel-digital.blogspot.pt (3/07/2014)

A organização de um seminário sobre métodos em teologia prática para alunos da licenciatura em ciências religiosas remete-nos para objetivos tais como: o desenvolvimento de capacidades de investigação pessoal, de auscultação da realidade, a leitura dos «sinais dos tempos», incremento da capacidade de discernimento com qualidade e ponderação e para a elaboração de um discurso próprio temático. Parece-me que estes foram alguns dos objetivos alcançados para além de uma “desmistificação” da palavra “blog”, que à partida parecia assustadora.

Inicia-mos o percurso definindo teologia prática, compreendendo o conceito (como nasceu e evoluiu), procurando o seu estatuto epistemológico e conhecendo o seu objeto e estudado e aprofundado os métodos que utiliza. Para isso fomos convidados a ler vários autores com obras pertinentes para o nosso estudo.

As publicações, nos blogues criados, foram muitas e na sua maioria iniciavam dizendo “O conceito de Teologia Pastoral sofreu uma evolução no século XX, devido às mudanças notáveis na compreensão dos seus conteúdos e das suas finalidades. Essa evolução e mudança ocorreram, em simultâneo, com os itinerários da teologia, da vida da igreja, e a forma de captar a relação entre a igreja e o mundo.” (Sandra – Blog Texto é pretexto”).

O Luís Almeida no seu blog Teologia Prática vai mais atrás e define teologia (theos = "divindade" + λóγος, logos = "palavra"). Afirmando que o «termo "teologia" teve origem na Antiguidade grega, vindo a assumir três significados distintos: mitológico, filosófico-cosmológico e cultural. Podemos, no entanto, na atualidade, considerar a teologia como a ciência sobre Deus, os seus atributos e as suas relações com o Homem e o Universo. Assim, numa última instância, é um tratado sobre Deus, na medida em que reflete sobre o dado revelado por Deus e sobre a fé que interroga e procura entender até onde lhe é possível. Entende-se por "teólogo" aquele que se dedica ao estudo da teologia.»

No blog Seminário: Método de Teologia Prática, do Bruno Félix, define-se a teologia Prática como sendo a atuação da Igreja no Mundo; o discurso crítico e construtivo sobre a ação cristã no mundo. O seu objetivo é contribuir para o aperfeiçoamento da ação cristã na realidade do mundo, não se prendendo somente às atividades pastorais ou às necessidades internas da Igreja. Tendo um objeto material que é Deus e todas as realidades por Ele criadas e governadas pelo seu desígnio salvador e um objeto secundário que se traduz em todas as coisas criadas enquanto ordenadas por ele. O objeto formal, indica o ponto de vista. Neste caso, a razão iluminada ou guiada pela fé. Enumera também três grupos de análise metodológica em teologia prática: qualitativos: explicam-nos qual o sentido das coisas; quantitativos: explicam-nos as coisas por causa - efeito; mistos: junção dos qualitativos com os quantitativos.

Ao avaliar o estatuto epistemológico da Teologia Pastoral Lurdes Domingues explica, nas suas Leituras Viagantes, que “segundo o autor José Luís Meza, a Teologia Pastoral é uma disciplina teológica que reflete sobre a Igreja que se constrói dia a dia, com a força do Espírito Santo, ao longo da história, e tem o estatuto epistemológico em três dimensões: científica, eclesial e significativa. Assim, é científica enquanto tem objeto de estudo, tem um método e tem sistematizado um conhecimento. Como eclesial porque o seu objeto é o mistério da Igreja e da sua realidade atual. E significativa porque a Igreja, como sacramento da salvação, se faz sinal do reino. O estatuto epistemológico da Teologia Pastoral tem o seu ponto de alcance na dimensão da sacramentalidade da Igreja.”

Em Moral em Alta – Teologia Pastoral, da Paula Rodrigues afirma-se que a teologia prática (hoje) refere-se à aplicação prática da teologia à vida quotidiana, que se desdobram em quatro tarefas: o que está a acontecer? Tarefa empírico-descritiva; por que está a acontecer? Tarefa interpretativa; o que deve acontecer? Tarefa normativa e como deve responder? Tarefa pragmática.

Ficamos a saber que o conhecimento da realidade é feito através do “…método (da teologia pastoral) … discernir e refletir sobre o contexto em … missão da Igreja se realiza. Desta forma, a leitura dos sinais dos tempos pressupõe sempre uma compreensão do mundo e da história em chave teológica. E este processo, não obstante ser essencialmente teológico, não se realiza sem a comparticipação das ciências sociais e humanas que ajudam a teologia a saber decifrar, ou melhor, a discernir com maior clareza os sinais dos tempos. A teologia pastoral deve analisar a missão da Igreja de acordo com a época em que se insere, tendo em conta as várias condicionantes: cultura, economia, tradição, localização…” (Teresa Ferreira - Métodos de Teologia Prática – Reflexões).

Ao abordarmos as funções do sacerdote identificamo-las com a tripla identidade de Cristo (Sacerdote, Profeta e Rei) explicitando que são funções ou serviços herdados pela Igreja, comunidade, corpo e presença. Pelo Batismo e Confirmação todo o cristão participa no sacerdócio comum de Cristo e é chamado a construir, pelo serviço (neste caso pastor), o Reino de Deus na terra, um Reino de Perdão e Liberdade (iniciado por Cristo mas não consumado). Também pela vocação, o pastor é profeta. É um homem escolhido e enviado por Deus e conduzido pelo Espírito Santo na proclamação da palavra de Deus. (resposta ao comentário feito pelo docente em Seminário: Método de Teologia Prática)

Em tesresacarvalhoasilva, entre muitas outras coisas, fez-se referência ao Concílio Vaticano II que “insistiu na formação de “verdadeiros pastores de almas” e concebeu uma tarefa pastoral onde relaciona a missão das pessoas e o ecumenismo.” Culminado com esta afirmação da Elvira Carneiro em Ciências Religiosas “A Gaudium et Spes mostra que não há conhecimento humano que tenha um caráter meramente teórico, visto que um ato de um homem concreto implica a razão prática.”

            A Tânia Malheiro, em Métodos de teologia Prática, fez uma apresentação do capítulo terceiro da obra Practical Theology and Qualitative Research Methods de Swinton, J. &, Mowatt, H, onde explicou que esta obra deu “… o seu contributo para o discurso sobre a relação entre a Teologia e a Investigação Qualitativa, particularmente sobre como os teólogos práticos podem usar de forma “fiel” a Investigação Qualitativa, afirmando que esta não tem prioridade lógica sobre a Teologia, devendo "converter-se" para uso na Teologia Prática.”

            Depois desta viagem pela esfera dos blogues, criados, só me resta concluir esta publicação com um parágrafo em jeito de reflexão pessoal. Portanto aqui vai…

            A Teologia Prática é um dos domínios da teologia (ciência da doutrina cristã) que se ocupa do papel, das funções e das condições da ação dos pastores da Igreja e como tal tem um estatuto epistemológico, objeto e métodos próprios. Ao longo das várias sessões práticas deste seminário tivemos ocasião de contatar de perto com alguns deles. Assenta no binómio teoria- praxis, ou seja a teoria cristã da praxis da Igreja e uma praxis da teologia. O termo teologia prática é resultado de uma evolução dos conceitos: a passagem de uma pastoral do ministério ordenado à ação da Igreja. Evoluiu de teologia pastoral (século XVIII) para no final do século XX se denominar teologia prática, termo que hoje conhecemos. A meu ver o conceito mais importante dentro da teologia pastoral (para além de Cristo) é o conceito de discernimento, na maneira em que se está em sintonia com a comunidade eclesial. E como afirma o Luís Almeida, seguindo S. Paulo, “… ainda que possua a fé em plenitude, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou.”

Ivone Brás

Publicação baseada na análise dos blogues (até ao dia 4 de Julho) dos colegas de seminário e nos apontamentos das sessões práticas.

quarta-feira, 2 de julho de 2014


Frases soltas

Pastoral é a continuação da ação de Cristo como pastor, a ação da Igreja.

“Jesus encarnou, morreu e ressuscitou para a nossa Salvação.” Kerigma

Pastoral é ouvir a realidade, a vida, é levar a sério a encarnação de Cristo.

É vivendo mais humanamente que conhecemos Cristo.

O mundo é um lugar de relação com Deus. A Igreja diz quem é Deus conforme está o mundo.

Há uma gramática de Deus – a linguagem da fé.

Como perceber o mundo pela perspetiva de Deus? Pelo discernimento.

O discernimento não se compadece com o calendário.

As ideias comandam a realidade.

Purificação e conversão contínua.

Teologia – fenómeno de Deus.

Igreja – uma fraternidade.

Procedimento – o caminho que temos que trilhar par que a realidade nos fale.

“Para quem não sabe para que porto vai nenhum vento sopra a favor”. Séneca

“Pela narração eu não só me digo como também me percebo.” Paul Ricoeur


Fonte: apontamentos recolhidos nas sessões práticas do Seminário Métodos em Teologia Prática.

Métodos em Teologia Prática

A teologia prática tem acompanhado a evolução das ciências humanas e sociais ao longo das últimas décadas, estando em constante diálogo. Utiliza um conjunto de técnicas de investigação de campo das ciências humanas e sociais que foram sendo apropriadas à investigação em teologia prática. Até ao Concílio Vaticano II predominou o método dedutivo (raciocínio, paradigma), o qual inscrevia nas práticas concretas a razão teológica das fórmulas dogmáticas, sucedendo-se depois o método indutivo (observação direta o aqui e agora), com o Vaticano II, o qual, pelo contrário, parte inicialmente das experiências concretas e gerou o diálogo com as ciências humanas e sociais. Para ultrapassar a linearidade dos métodos anteriores surge o método de correlação, que se destaca pelo “ver - julgar - agir”. Aparecem depois os métodos de teor projetivo e de discernimento.

            Neste último destaca-se o pensamento de Sergio Lanza, que criou um método próprio fundado na teologia do discernimento que se torna inovador ao identificar o sujeito de toda a ação pastoral a comunidade (participação); exigir a verificação da ação e monitorização dos resultados e pela transformação interior (conversão). Sendo um método de aplicação, ação e compreensão comporta três dimensões: análise e avaliação; decisão e projeção e atuação e verificação. Este método está estruturado em cinco etapas:

1.      Questão (formulação);

2.      Questão rezada (oração);

3.      Questão refletida (reflexão pessoal e comunitária);

4.      Questão objetivada (diálogo e aprofundamento);

5.      Questão em via de solução (decisão).

Bibliografia:
LIMA, José da Silva – Teologia Prática Fundamental. Fazei vós, também. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2009.

Análise de conteúdo – o método de Laurence Bardin

Parte V

V – A informatização da análise das comunicações

            Nesta última parte do método a autora apresenta algumas questões sobre a pertinência do uso do computador para a análise de conteúdo e também alguns exemplos e boas praticas na área tais como: uma análise de conteúdo de imprensa; a análise de resposta a questões abertas; as análises lexicométricas e uma análise ao programa DEDEREC, um programa de análise automática de texto, criado nos anos 70 por Plante no Canadá.

            Inicia a exposição respondendo à questão “É possível fazer análise de conteúdo por computador?” (p. 171) sugerindo que se decomponha a questão em três níveis: o tratamento de texto (função «cortar, colar»); as operações de análise de texto (categorização) e a análise dos dados obtidos (as operações estatísticas dos resultados). Demonstra alguma apreensão na resposta dizendo “… «Sim», porque algumas coisas são já possíveis, «Não», porque normalmente essas coisas existem apenas a título experimental ou artesanal…” (p. 172).

            Ao verificar a utilidade da informática para a análise de conteúdo a autora enumera os benefícios e as limitações dos computadores neste campo de análise

            Conclui afirmando que o computador não pode fazer tudo, necessitando de operações prévias e a sua utilização tem consequências na prática da análise de conteúdo nomeadamente ao nível: da rapidez; do rigor na organização; a flexibilidade mantém-se; a reprodução e troca de documentos facilitada e o aumento de criatividade por parte do investigador.

Bibliografia:
 BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.

Análise de conteúdo – o método de Laurence Bardin

Parte IV

IV – A Inferência

            1 – Pólos de análise
                  A análise de conteúdo permite ao leitor crítico de uma mensagem ter acesso a informação suplementar: o saber “mais”. Este saber “mais” implica que a análise de conteúdo se centre em pólos de atração. Podem apoiar-se nos elementos constitutivos do mecanismo clássico de comunicação:

EMISSOR (a) e RECETOR (b) - polos de inferência - emitem e recebem a MENSAGEM (c) - significação e código - sobre o MEDIUM (d) - canal ou suporte.

a)      O emissor, produtor da mensagem, tem a função expressiva ou representativa da comunicação;

b)      O recetor, a quem se dirige a mensagem com a finalidade de agir ou de se adaptar;

c)      A mensagem constitui o material, o ponto de partida e o indicador sem o qual a análise não seria possível. Existem dois tipos de análise: o continente e o conteúdo; os significantes e os significados; o código (indicador capaz de revelar realidades subjacentes) e a significação (a passagem sistematizada pelo estudo formal ao código).

d)      O medium, canal ou suporte material do código.

            2 – Processos e variáveis de inferência

A análise de conteúdo é um bom instrumento de indução para se investigarem as causas (variáveis inferidas) a partir dos efeitos (variáveis de inferência ou indicadores; referências no texto). Estes indicadores e inferências podem ser de natureza muito diversas. Laurence Bardin, na obra que estamos a acompanhar, indica alguns autores com perspetivas diferentes: C. E. Osgood refere que as inferências podem ser distinguidas entre específicas e gerais e as variáveis inferidas podem ser várias dando o exemplo da inteligência, a facilidade de comunicação ou a agressividade; O. R. Holsti cita outros exemplos como os antecedentes da comunicação (observando aspetos os mudanças culturais), as provas de legalidade e de autenticidade e os resultados da comunicação.

 Bibliografia:
 BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.

Análise de conteúdo – o método de Laurence Bardin

Parte III

III – A Categorização

            Esta fase traduz-se na passagem de dados embruto para dados organizados. É uma opção de classificação de elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o género ou seja por analogia. As categorias, neste tipo de análise, são rúbricas ou classes que reúnem um grupo de elementos sob um título genérico. O critério de categorização pode ser semântico, sintático, léxico e expresso.

            O processo de categorização implica duas etapas: o inventário (isolar os elemento) e a classificação (repartir os elementos).

            Aquando da análise de conteúdo se decide codificar o material deve-se produzir um sistema ou tabela de categorias, pois esta análise assenta na crença de que a categorização não introduz desvios no material, antes pelo contrário revela índices invisíveis aos dados em bruto.

            Um conjunto ou uma tabela de “boas” categorias deve possuir as seguintes qualidades: deve haver uma exclusão mútua; deve ser homogénea; deve ter objetivos e fidedignos e deve ter produtividade ou seja fornecer resultados férteis.

 

Bibliografia:
 BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.

terça-feira, 1 de julho de 2014


Análise de conteúdo – o método de Laurence Bardin
Parte II

II- A codificação:

Neste momento os dados brutos são organizados e agregados em unidades que permitem uma descrição exata das características pertinentes do conteúdo. A organização da codificação compreende três escolhas: o recorte (escolha das unidades), a enumeração (escolha das regras de contagem) e a classificação e agregação (escolha das categorias).

a)      Unidades de registo e de contexto;

Unidade de registo é a unidade de significação codificada que corresponde ao segmento de conteúdo considerada unidade de base (recortes a nível semântico – tema - e a nível linguístico – palavra ou frase). Unidade de contexto serve de unidade de compreensão para codificar a unidade de registo e corresponde ao segmento da mensagem.

 
b)      Regras de enumeração;

O modo de contagem. Tipos de enumeração: a presença ou ausência; a frequência ponderada; a intensidade (carácter quantitativo); a direção (carácter qualitativo); a ordem; a co-ocorrência (presença simultânea de duas ou mais unidades de registo numa unidade de contexto).

 
c)      Análise quantitativa e qualitativa.

A abordagem quantitativa funda-se na frequência de aparição de determinados elementos da mensagem. A abordagem não qualitativa recorre a indicadores não frequenciais suscetíveis de permitir inferências.

Bibliografia:
 BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.

Análise de conteúdo – o método de Laurence Bardin
Parte I

A captação de análise de dados numa análise qualitativa faz-se pela análise de conteúdo. Esta permite-nos perceber, não apenas os dados positivos mas os significados, analisando o que é explícito no texto. Este método aspira a objetividade mas não a consegue a cem por cento. Tem de ser pensado em função de indicadores de forma positiva, negativa ou ausente e categorias de análise que explicam as hipóteses formuladas.

Laurence Bardin, na sua obra “Análise de Conteúdo”, apresenta um método próprio para a análise de conteúdos de dados (na última publicação esquematizado). Estruturado em cinco etapas o método inicia com a organização da análise dividida em três polos cronológicos: a pré-análise; a exploração do material e o tratamento dos resultados, sua inferência e interpretação.

I – Organização da Análise:
a)      Pré-análise;

É a fase de organização propriamente dita. Período de intuições cujo objetivo é o de tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais. Pressupõe três missões: a escolha dos documentos, a formulação de hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem e interpretação final. Desta fase fazem parte momentos como as leituras flutuantes (estabelecer contato com os documentos a analisar e conhecer o texto deixando-se invadir por impressões e orientações), a escolha dos documentos (constituição de um corpus segundo quatro regras: exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência), a formulação das hipóteses (afirmações provisórias que nos propomos verificar) e dos objetivos, a referenciação dos índices e a elaboração de indicadores e a preparação do material.

 
b)      Exploração do material;

Fase, longa e fastidiosa, que consiste em operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas.

 
c)      Tratamento dos resultados, sua inferência e interpretação.

Neste momento, os resultados em bruto são tratados de maneira a serem significativos (“falantes”) e válidos. Para mais rigor os resultados submetem-se a provas estatísticas e testes de validação (interna ou externa).


Bibliografia:
 BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.

domingo, 11 de maio de 2014

Métodos de análise de informação

No decurso de uma investigação é necessário explicar o fenómeno procurando conhecer e mostrar o significado dos dados que se nos apresentam. A este momento corresponde a etapa 6 do protocolo de investigação que temos seguido. E estamos perante dois tipos de análise:

1.      Análise estatística de dados. Método quantitativo
            (conhecer, mostrar o fenómeno)

            A análise estatística de dados é um ramo da matemática aplicada que através e métodos e técnicas apropriadas obtêm, organizam e analisam dados empíricos, determinando possíveis correlações entre eles. O método quantitativo caracteriza-se por dados mensuráveis, que se podem exprimir em valores numéricos reportados a uma unidade de medida ou de ordem.
 
2.      Análise de conteúdo. Método qualitativo 
             (explicar o fenómeno)

Quando falamos de análise qualitativa de dados somos levados a consultar a obra de Laurence Bardin que define a análise de conteúdos e explica a sua utilidade para as ciências humanas.
            A autora começa por definir, no prefácio da obra, a análise de conteúdos como “um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais subtis em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a «discurso» (conteúdo e continentes) extremamente diversificados.”  Depois apresenta um método para efetuar a análise:

I – Organização da análise:
a)      Pré-análise
b)      Exploração do material;
c)      Tratamento dos resultados obtidos e interpretações.

II – A codificação:
a)      Unidades de registo e de contexto;
b)      Regras de enumeração;
c)      Análise quantitativa e qualitativa.

III – A Categorização:
a)      Princípios;

IV – A inferência:
a)      Pólos de análise;
b)      Processos e variáveis de inferência.

V – A informatização de análise das comunicações.

 Bibliografia:
MORAIS, Carlos. Descrição, análise e interpretação de informação quantitativa. Bragança: IPB/ESE, s.d.
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.
 





 
 

quinta-feira, 10 de abril de 2014


Investigação em Ciências Sociais – um caso prático

 1.ª Etapa – Pergunta de Partida
Quais os contributos da disciplina de EMRC para a Escola Pública?

 
 2.ª Etapa – A exploração
A pesquisa bibliográfica, sobre a pergunta de partida, fixa-se nos temas “EMRC” e a “Escola Pública”. Como o resultado irá ser muito alargado e o tempo de pesquisa é pouco, poderei direcionar a pesquisa para “objetivos de EMRC”, “identidade da disciplina” e “objetivos da Escola Pública”.

Passarei para às leituras, sem esquecer de realizar as fichas de leitura, com respetivo resumo e ideias principais de cada texto/ autor e a indicação das fontes.

Nas entrevistas exploratórias poderei sondar professores, direção da escola e alguns alunos através de uma entrevista semidiretiva com as seguintes questões:
                1 – A disciplina de EMRC traz benefícios à Escola pública? Por que razões?
                2 – A identidade da disciplina de EMRC vai de encontro ao conceito de Escola Pública?   
                     Por que razões? E quais?

Depois de realizadas estudarei as suas conclusões.


3.ª Etapa – A problemática
Será o tempo de elaboração de uma nova forma de encarar um problema e propor uma resposta original à pergunta de partida. Sendo passível de realização em dois momentos:

·         fazer o balanço das problemáticas possíveis a partir das leituras e das entrevistas exploratórias;

·         escolher e explicitar a orientação ou a abordagem para responder à pergunta de partida.


4.ª Etapa – A construção do modelo de análise
Esta etapa é um prolongamento da anterior e concretiza-se no requestionamento dos conhecimentos adquiridos na forma de conceitos e hipóteses articulados entre si.

 Exemplos:
Os benefícios da disciplina de EMRC são uma mais-valia para a Escola Pública.

A identidade da disciplina de EMRC encaixa no conceito de Escola Pública.

 5.ª Etapa – A observação
Realizarei algumas operações através das quais o modelo de análise é submetido ao teste dos fatos e confrontado com dados observáveis. Tentarei responder às questões: observar o quê? Quem? Como?

Depois de definido qual o instrumento de observação, concretizo a sua elaboração e posteriormente a sua implementação/ recolha de dados.

 6.ª Etapa – Análise das informações
Neste momento procederei à medição e descrição dos resultados.
 

7.ª Etapa –As conclusões
È o tempo de voltar ao ponto de partida, recapitular todo o procedimento, questionar a pergunta de partida e verificar as minhas conclusões. Ou fiz ciência ou não! Vamos lá a ver se chegamos a bom porto.

 Cronograma do trabalho:

 
 
Março
 
  Abril
 
 
Maio
 
Junho
Etapas do procedimento
1
8
15
22
29
5
12
3
10
17
24
31
7
RUPTURA
Pergunta de Partida
 
X
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A exploração
 
 
X
X
X
X
X
X
 
 
 
 
 
OBSERVAÇÃO
A problemática
 
 
 
 
 
 
 
 
X
 
 
 
 
A construção do modelo de análise
 
 
 
 
 
 
 
 
X
 
 
 
 
 
A observação
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X
X
 
 
VERIFICAÇÃO
A análise das informações
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X
 
 
As conclusões
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X