terça-feira, 1 de julho de 2014


Análise de conteúdo – o método de Laurence Bardin
Parte I

A captação de análise de dados numa análise qualitativa faz-se pela análise de conteúdo. Esta permite-nos perceber, não apenas os dados positivos mas os significados, analisando o que é explícito no texto. Este método aspira a objetividade mas não a consegue a cem por cento. Tem de ser pensado em função de indicadores de forma positiva, negativa ou ausente e categorias de análise que explicam as hipóteses formuladas.

Laurence Bardin, na sua obra “Análise de Conteúdo”, apresenta um método próprio para a análise de conteúdos de dados (na última publicação esquematizado). Estruturado em cinco etapas o método inicia com a organização da análise dividida em três polos cronológicos: a pré-análise; a exploração do material e o tratamento dos resultados, sua inferência e interpretação.

I – Organização da Análise:
a)      Pré-análise;

É a fase de organização propriamente dita. Período de intuições cujo objetivo é o de tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais. Pressupõe três missões: a escolha dos documentos, a formulação de hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem e interpretação final. Desta fase fazem parte momentos como as leituras flutuantes (estabelecer contato com os documentos a analisar e conhecer o texto deixando-se invadir por impressões e orientações), a escolha dos documentos (constituição de um corpus segundo quatro regras: exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência), a formulação das hipóteses (afirmações provisórias que nos propomos verificar) e dos objetivos, a referenciação dos índices e a elaboração de indicadores e a preparação do material.

 
b)      Exploração do material;

Fase, longa e fastidiosa, que consiste em operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas.

 
c)      Tratamento dos resultados, sua inferência e interpretação.

Neste momento, os resultados em bruto são tratados de maneira a serem significativos (“falantes”) e válidos. Para mais rigor os resultados submetem-se a provas estatísticas e testes de validação (interna ou externa).


Bibliografia:
 BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.

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